quinta-feira, 28 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
espírito
espírito
vem de mim e
de minha carne
o obscuro
que se
disfarça de
faca e seduz
a fruta
para ser
mordida
os traços delicados
e simétricos
jamais me
busca
sou negra com
estampas purpuras
o espírito negro
incendeia o espaço
montado sobre
minha bunda viva
sou vício
escuro da
terra que
lateja.
Hilda Helena Dias
PHALLUS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Bárbara Cunha, collaboration
São Paulo, SP, 2016
vem de mim e
de minha carne
o obscuro
que se
disfarça de
faca e seduz
a fruta
para ser
mordida
os traços delicados
e simétricos
jamais me
busca
sou negra com
estampas purpuras
o espírito negro
incendeia o espaço
montado sobre
minha bunda viva
sou vício
escuro da
terra que
lateja.
Hilda Helena Dias
PHALLUS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Bárbara Cunha, collaboration
São Paulo, SP, 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Eterno
eterno
eterna ilusão
beber a água
onde a lua
se esconde
deito-me
como uma
égua negra
e bebo o
reflexo do
Sol
dominado de
ossos e fendas
acredito ser
ouro no
mundo
aprendi o
amor
a carne vadia
circula o
eterno
sem tocar
nada sendo
fantasio-me
de existir
e ser
sem boca
e mãos
com patas e
focinho
sou égua
embriagada.
Hilda Helena Dias
Arte Laurie Pace
eterna ilusão
beber a água
onde a lua
se esconde
deito-me
como uma
égua negra
e bebo o
reflexo do
Sol
dominado de
ossos e fendas
acredito ser
ouro no
mundo
aprendi o
amor
a carne vadia
circula o
eterno
sem tocar
nada sendo
fantasio-me
de existir
e ser
sem boca
e mãos
com patas e
focinho
sou égua
embriagada.
Hilda Helena Dias
Arte Laurie Pace
terça-feira, 14 de junho de 2016
da vontade
da vontade
deus deseja
sem escapatória
pudor ou
vergonha
atrevido
e sem mentiras
movimenta-se
como serpente
fazendo presas
com intimidade
atravessa a
vida que sustenta
o corpo em
brasa
sobe a
a Torre de
Babel
farto de
beber e comer
cheio de queixas
afasta-se
e volta
a cada noite
sendo indo
me faz casa
sua carne
no corpo
deixa espinhos
que simula
dor
no Paraíso
que goza.
Hilda Helena Dias
deus deseja
sem escapatória
pudor ou
vergonha
atrevido
e sem mentiras
movimenta-se
como serpente
fazendo presas
com intimidade
atravessa a
vida que sustenta
o corpo em
brasa
sobe a
a Torre de
Babel
farto de
beber e comer
cheio de queixas
afasta-se
e volta
a cada noite
sendo indo
me faz casa
sua carne
no corpo
deixa espinhos
que simula
dor
no Paraíso
que goza.
Hilda Helena Dias
secreto desejo
secreto desejo
para o poeta
a beleza da
fantasia
é realidade
utópica do
imaginário
enlouquecido
jura sanidade
no auge
da loucura
no tédio de
existir
é volúpia
do sonho
parte do
real desvanecido
espectro de fantasma
vivo
ferve a carne e
sonho
regado pelas
lágrimas
inveja os que
dependem de
chuva
submetido ao
horror
sem suportar
o silêncio
dos astros
é profeta
das cinzas
amaldiçoadas
a tocar o sono
vê fantasmas
pensando rabiscos
no caderno
sem nada a
dizer
inadaptados para
o demasiado
trabalho
na memória
do tempo
tem esperança
na morte
carrega um
morto vivo
que vive
com ele
neste momento
acende o
cigarro e
olha a
mesma merda
de tentar
manter o equilíbrio
tropeçando no
desconhecido
no tropeço
jogando com o
destino
deseja e
ama o secreto
abismo.
Hilda Helena Dias
Arte: Tulio Pericoli, Virginia Woolf 1987
para o poeta
a beleza da
fantasia
é realidade
utópica do
imaginário
enlouquecido
jura sanidade
no auge
da loucura
no tédio de
existir
é volúpia
do sonho
parte do
real desvanecido
espectro de fantasma
vivo
ferve a carne e
sonho
regado pelas
lágrimas
inveja os que
dependem de
chuva
submetido ao
horror
sem suportar
o silêncio
dos astros
é profeta
das cinzas
amaldiçoadas
a tocar o sono
vê fantasmas
pensando rabiscos
no caderno
sem nada a
dizer
inadaptados para
o demasiado
trabalho
na memória
do tempo
tem esperança
na morte
carrega um
morto vivo
que vive
com ele
neste momento
acende o
cigarro e
olha a
mesma merda
de tentar
manter o equilíbrio
tropeçando no
desconhecido
no tropeço
jogando com o
destino
deseja e
ama o secreto
abismo.
Hilda Helena Dias
Arte: Tulio Pericoli, Virginia Woolf 1987
segunda-feira, 6 de junho de 2016
deite comigo
deite comigo
a vida intensa
não se afastará de
mim
beberá
paixão e
inquietação
sem mim
ela é vazia
por isso invento
ervas negras
empresto meus
pés no chão e
minha carne
carmim
será fácil
entender a
razão de
buscar em
mim a
embriaguez
oh vida
deite-se comigo
me beba
extrapole essa
distância.
Hilda Helena Dias
Foto: Arô Ribeiro
(Estudo- Elogio à sombra.Esse é um estudo sobre o uso da luz)
a vida intensa
não se afastará de
mim
beberá
paixão e
inquietação
sem mim
ela é vazia
por isso invento
ervas negras
empresto meus
pés no chão e
minha carne
carmim
será fácil
entender a
razão de
buscar em
mim a
embriaguez
oh vida
deite-se comigo
me beba
extrapole essa
distância.
Hilda Helena Dias
Foto: Arô Ribeiro
(Estudo- Elogio à sombra.Esse é um estudo sobre o uso da luz)
sedentos
sedentos
a vontade
de beber a vida
nos põe de pé
salivando
procura-se
seu gosto seco
e reluzente
acariciando
os lábios
ela pede
lava-me
as manchas
vivas
irregulares e
distintas
cobrem a carne viva
rompem da alvorada
ao crepúsculo
desfeitas com
o tempo.
Hilda Helena Dias
Detalhes da emocionante performance "Tapete Manifesto" - Teatro Arena
Foto: Arô Ribeiro
a vontade
de beber a vida
nos põe de pé
salivando
procura-se
seu gosto seco
e reluzente
acariciando
os lábios
ela pede
lava-me
as manchas
vivas
irregulares e
distintas
cobrem a carne viva
rompem da alvorada
ao crepúsculo
desfeitas com
o tempo.
Hilda Helena Dias
Detalhes da emocionante performance "Tapete Manifesto" - Teatro Arena
Foto: Arô Ribeiro
Coração sem peso
coração sem peso
todos são sozinhos
na essência meu
sangue me transmuta
ressuscita-se
se elevando-nos
segredos que não
se entendem
amo-me
vejo meu eco interior
no corpo vivo
deslumbro-me diante
de ser mistério
trabalho comigo e
esvaziar-me-ei de
luz
concentro-me no
nada que me
toma e
ordena a solidão
profunda
não me aflijo
o amor é perfeito
calo-me
não tenho tempo
para tormento
a vida é curta
tento tornar os
momentos lógicos
dou nome a
mim
eu mesma me faço
batizo-me no meu
eu
nada se perde sentindo.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro com Luís Mármora
todos são sozinhos
na essência meu
sangue me transmuta
ressuscita-se
se elevando-nos
segredos que não
se entendem
amo-me
vejo meu eco interior
no corpo vivo
deslumbro-me diante
de ser mistério
trabalho comigo e
esvaziar-me-ei de
luz
concentro-me no
nada que me
toma e
ordena a solidão
profunda
não me aflijo
o amor é perfeito
calo-me
não tenho tempo
para tormento
a vida é curta
tento tornar os
momentos lógicos
dou nome a
mim
eu mesma me faço
batizo-me no meu
eu
nada se perde sentindo.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro com Luís Mármora
domingo, 5 de junho de 2016
MENOR
MENOR
sou hóspede
da vida
durmo em
tecido de junco
traçado de cores
misturadas
de delícias
horror e
ódio
amo-te
vida
polpa comestível
saliva
arbusto que
me trata
te adoro
descendo
és rio
que desce
pelas
entranhas
faz esquecer
casa
sorriso leve
a energia
da terra
mastigada
pelos dentes
postiços
os círculos
de pobreza
te bebo
invento abrigo
alimento
que sacia meu
querer gigante
conquistas-me
me chamando
ardente
me canta
e me ama
embriagada por
ser amada
tanto assim
me diminuo
pelos goles desperdiçados.
Hilda Helena Dias
sou hóspede
da vida
durmo em
tecido de junco
traçado de cores
misturadas
de delícias
horror e
ódio
amo-te
vida
polpa comestível
saliva
arbusto que
me trata
te adoro
descendo
és rio
que desce
pelas
entranhas
faz esquecer
casa
sorriso leve
a energia
da terra
mastigada
pelos dentes
postiços
os círculos
de pobreza
te bebo
invento abrigo
alimento
que sacia meu
querer gigante
conquistas-me
me chamando
ardente
me canta
e me ama
embriagada por
ser amada
tanto assim
me diminuo
pelos goles desperdiçados.
Hilda Helena Dias
quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
sobre a morte
sobre a morte
palavras
sangrentas e
duras
em caras
ásperas
convidam a
vida para
sentar-se à
mesa
coisas não
ditas é
bebida destilada
que aos poucos
lapidadas
viram gotas
petrificadas que
insulta o
passado e
o agora
junto à
vida
somos riso
mergulhado nos
hálitos que
permite
o paraíso
conquista-se
o sofrimento
no esquecimento
dormimos na
morte
em êxtase
esperamos um
que nos cubra
de essências.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
palavras
sangrentas e
duras
em caras
ásperas
convidam a
vida para
sentar-se à
mesa
coisas não
ditas é
bebida destilada
que aos poucos
lapidadas
viram gotas
petrificadas que
insulta o
passado e
o agora
junto à
vida
somos riso
mergulhado nos
hálitos que
permite
o paraíso
conquista-se
o sofrimento
no esquecimento
dormimos na
morte
em êxtase
esperamos um
que nos cubra
de essências.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
domingo, 22 de maio de 2016
carnívora
carnívora
a vida faminta
com tiras
passadas
nos ombros
segura o
corpo no
precipício
a vida é
carne viva
sangrenta
pedaço de
serpente
que devora-se
com a lividez
da língua
com o seu carmim
nos lavamos
até os ossos
e saímos
passeando
pela cidade
e ela com
bico de corvo
de nós
se alimenta.
Hilda Helena Dias
a vida faminta
com tiras
passadas
nos ombros
segura o
corpo no
precipício
a vida é
carne viva
sangrenta
pedaço de
serpente
que devora-se
com a lividez
da língua
com o seu carmim
nos lavamos
até os ossos
e saímos
passeando
pela cidade
e ela com
bico de corvo
de nós
se alimenta.
Hilda Helena Dias
quinta-feira, 19 de maio de 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
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