quinta-feira, 28 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
sábado, 25 de junho de 2016
espírito
espírito
vem de mim e
de minha carne
o obscuro
que se
disfarça de
faca e seduz
a fruta
para ser
mordida
os traços delicados
e simétricos
jamais me
busca
sou negra com
estampas purpuras
o espírito negro
incendeia o espaço
montado sobre
minha bunda viva
sou vício
escuro da
terra que
lateja.
Hilda Helena Dias
PHALLUS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Bárbara Cunha, collaboration
São Paulo, SP, 2016
vem de mim e
de minha carne
o obscuro
que se
disfarça de
faca e seduz
a fruta
para ser
mordida
os traços delicados
e simétricos
jamais me
busca
sou negra com
estampas purpuras
o espírito negro
incendeia o espaço
montado sobre
minha bunda viva
sou vício
escuro da
terra que
lateja.
Hilda Helena Dias
PHALLUS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Bárbara Cunha, collaboration
São Paulo, SP, 2016
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Eterno
eterno
eterna ilusão
beber a água
onde a lua
se esconde
deito-me
como uma
égua negra
e bebo o
reflexo do
Sol
dominado de
ossos e fendas
acredito ser
ouro no
mundo
aprendi o
amor
a carne vadia
circula o
eterno
sem tocar
nada sendo
fantasio-me
de existir
e ser
sem boca
e mãos
com patas e
focinho
sou égua
embriagada.
Hilda Helena Dias
Arte Laurie Pace
eterna ilusão
beber a água
onde a lua
se esconde
deito-me
como uma
égua negra
e bebo o
reflexo do
Sol
dominado de
ossos e fendas
acredito ser
ouro no
mundo
aprendi o
amor
a carne vadia
circula o
eterno
sem tocar
nada sendo
fantasio-me
de existir
e ser
sem boca
e mãos
com patas e
focinho
sou égua
embriagada.
Hilda Helena Dias
Arte Laurie Pace
terça-feira, 14 de junho de 2016
da vontade
da vontade
deus deseja
sem escapatória
pudor ou
vergonha
atrevido
e sem mentiras
movimenta-se
como serpente
fazendo presas
com intimidade
atravessa a
vida que sustenta
o corpo em
brasa
sobe a
a Torre de
Babel
farto de
beber e comer
cheio de queixas
afasta-se
e volta
a cada noite
sendo indo
me faz casa
sua carne
no corpo
deixa espinhos
que simula
dor
no Paraíso
que goza.
Hilda Helena Dias
deus deseja
sem escapatória
pudor ou
vergonha
atrevido
e sem mentiras
movimenta-se
como serpente
fazendo presas
com intimidade
atravessa a
vida que sustenta
o corpo em
brasa
sobe a
a Torre de
Babel
farto de
beber e comer
cheio de queixas
afasta-se
e volta
a cada noite
sendo indo
me faz casa
sua carne
no corpo
deixa espinhos
que simula
dor
no Paraíso
que goza.
Hilda Helena Dias
secreto desejo
secreto desejo
para o poeta
a beleza da
fantasia
é realidade
utópica do
imaginário
enlouquecido
jura sanidade
no auge
da loucura
no tédio de
existir
é volúpia
do sonho
parte do
real desvanecido
espectro de fantasma
vivo
ferve a carne e
sonho
regado pelas
lágrimas
inveja os que
dependem de
chuva
submetido ao
horror
sem suportar
o silêncio
dos astros
é profeta
das cinzas
amaldiçoadas
a tocar o sono
vê fantasmas
pensando rabiscos
no caderno
sem nada a
dizer
inadaptados para
o demasiado
trabalho
na memória
do tempo
tem esperança
na morte
carrega um
morto vivo
que vive
com ele
neste momento
acende o
cigarro e
olha a
mesma merda
de tentar
manter o equilíbrio
tropeçando no
desconhecido
no tropeço
jogando com o
destino
deseja e
ama o secreto
abismo.
Hilda Helena Dias
Arte: Tulio Pericoli, Virginia Woolf 1987
para o poeta
a beleza da
fantasia
é realidade
utópica do
imaginário
enlouquecido
jura sanidade
no auge
da loucura
no tédio de
existir
é volúpia
do sonho
parte do
real desvanecido
espectro de fantasma
vivo
ferve a carne e
sonho
regado pelas
lágrimas
inveja os que
dependem de
chuva
submetido ao
horror
sem suportar
o silêncio
dos astros
é profeta
das cinzas
amaldiçoadas
a tocar o sono
vê fantasmas
pensando rabiscos
no caderno
sem nada a
dizer
inadaptados para
o demasiado
trabalho
na memória
do tempo
tem esperança
na morte
carrega um
morto vivo
que vive
com ele
neste momento
acende o
cigarro e
olha a
mesma merda
de tentar
manter o equilíbrio
tropeçando no
desconhecido
no tropeço
jogando com o
destino
deseja e
ama o secreto
abismo.
Hilda Helena Dias
Arte: Tulio Pericoli, Virginia Woolf 1987
segunda-feira, 6 de junho de 2016
deite comigo
deite comigo
a vida intensa
não se afastará de
mim
beberá
paixão e
inquietação
sem mim
ela é vazia
por isso invento
ervas negras
empresto meus
pés no chão e
minha carne
carmim
será fácil
entender a
razão de
buscar em
mim a
embriaguez
oh vida
deite-se comigo
me beba
extrapole essa
distância.
Hilda Helena Dias
Foto: Arô Ribeiro
(Estudo- Elogio à sombra.Esse é um estudo sobre o uso da luz)
a vida intensa
não se afastará de
mim
beberá
paixão e
inquietação
sem mim
ela é vazia
por isso invento
ervas negras
empresto meus
pés no chão e
minha carne
carmim
será fácil
entender a
razão de
buscar em
mim a
embriaguez
oh vida
deite-se comigo
me beba
extrapole essa
distância.
Hilda Helena Dias
Foto: Arô Ribeiro
(Estudo- Elogio à sombra.Esse é um estudo sobre o uso da luz)
sedentos
sedentos
a vontade
de beber a vida
nos põe de pé
salivando
procura-se
seu gosto seco
e reluzente
acariciando
os lábios
ela pede
lava-me
as manchas
vivas
irregulares e
distintas
cobrem a carne viva
rompem da alvorada
ao crepúsculo
desfeitas com
o tempo.
Hilda Helena Dias
Detalhes da emocionante performance "Tapete Manifesto" - Teatro Arena
Foto: Arô Ribeiro
a vontade
de beber a vida
nos põe de pé
salivando
procura-se
seu gosto seco
e reluzente
acariciando
os lábios
ela pede
lava-me
as manchas
vivas
irregulares e
distintas
cobrem a carne viva
rompem da alvorada
ao crepúsculo
desfeitas com
o tempo.
Hilda Helena Dias
Detalhes da emocionante performance "Tapete Manifesto" - Teatro Arena
Foto: Arô Ribeiro
Coração sem peso
coração sem peso
todos são sozinhos
na essência meu
sangue me transmuta
ressuscita-se
se elevando-nos
segredos que não
se entendem
amo-me
vejo meu eco interior
no corpo vivo
deslumbro-me diante
de ser mistério
trabalho comigo e
esvaziar-me-ei de
luz
concentro-me no
nada que me
toma e
ordena a solidão
profunda
não me aflijo
o amor é perfeito
calo-me
não tenho tempo
para tormento
a vida é curta
tento tornar os
momentos lógicos
dou nome a
mim
eu mesma me faço
batizo-me no meu
eu
nada se perde sentindo.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro com Luís Mármora
todos são sozinhos
na essência meu
sangue me transmuta
ressuscita-se
se elevando-nos
segredos que não
se entendem
amo-me
vejo meu eco interior
no corpo vivo
deslumbro-me diante
de ser mistério
trabalho comigo e
esvaziar-me-ei de
luz
concentro-me no
nada que me
toma e
ordena a solidão
profunda
não me aflijo
o amor é perfeito
calo-me
não tenho tempo
para tormento
a vida é curta
tento tornar os
momentos lógicos
dou nome a
mim
eu mesma me faço
batizo-me no meu
eu
nada se perde sentindo.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro com Luís Mármora
domingo, 5 de junho de 2016
MENOR
MENOR
sou hóspede
da vida
durmo em
tecido de junco
traçado de cores
misturadas
de delícias
horror e
ódio
amo-te
vida
polpa comestível
saliva
arbusto que
me trata
te adoro
descendo
és rio
que desce
pelas
entranhas
faz esquecer
casa
sorriso leve
a energia
da terra
mastigada
pelos dentes
postiços
os círculos
de pobreza
te bebo
invento abrigo
alimento
que sacia meu
querer gigante
conquistas-me
me chamando
ardente
me canta
e me ama
embriagada por
ser amada
tanto assim
me diminuo
pelos goles desperdiçados.
Hilda Helena Dias
sou hóspede
da vida
durmo em
tecido de junco
traçado de cores
misturadas
de delícias
horror e
ódio
amo-te
vida
polpa comestível
saliva
arbusto que
me trata
te adoro
descendo
és rio
que desce
pelas
entranhas
faz esquecer
casa
sorriso leve
a energia
da terra
mastigada
pelos dentes
postiços
os círculos
de pobreza
te bebo
invento abrigo
alimento
que sacia meu
querer gigante
conquistas-me
me chamando
ardente
me canta
e me ama
embriagada por
ser amada
tanto assim
me diminuo
pelos goles desperdiçados.
Hilda Helena Dias
quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
sobre a morte
sobre a morte
palavras
sangrentas e
duras
em caras
ásperas
convidam a
vida para
sentar-se à
mesa
coisas não
ditas é
bebida destilada
que aos poucos
lapidadas
viram gotas
petrificadas que
insulta o
passado e
o agora
junto à
vida
somos riso
mergulhado nos
hálitos que
permite
o paraíso
conquista-se
o sofrimento
no esquecimento
dormimos na
morte
em êxtase
esperamos um
que nos cubra
de essências.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
palavras
sangrentas e
duras
em caras
ásperas
convidam a
vida para
sentar-se à
mesa
coisas não
ditas é
bebida destilada
que aos poucos
lapidadas
viram gotas
petrificadas que
insulta o
passado e
o agora
junto à
vida
somos riso
mergulhado nos
hálitos que
permite
o paraíso
conquista-se
o sofrimento
no esquecimento
dormimos na
morte
em êxtase
esperamos um
que nos cubra
de essências.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
domingo, 22 de maio de 2016
carnívora
carnívora
a vida faminta
com tiras
passadas
nos ombros
segura o
corpo no
precipício
a vida é
carne viva
sangrenta
pedaço de
serpente
que devora-se
com a lividez
da língua
com o seu carmim
nos lavamos
até os ossos
e saímos
passeando
pela cidade
e ela com
bico de corvo
de nós
se alimenta.
Hilda Helena Dias
a vida faminta
com tiras
passadas
nos ombros
segura o
corpo no
precipício
a vida é
carne viva
sangrenta
pedaço de
serpente
que devora-se
com a lividez
da língua
com o seu carmim
nos lavamos
até os ossos
e saímos
passeando
pela cidade
e ela com
bico de corvo
de nós
se alimenta.
Hilda Helena Dias
quinta-feira, 19 de maio de 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
o voo
o voo
as pernas
dementes
caminham com
lentidão
o desejo de
ser pássaro
retarda a
partida
há frutas no
quintal
com a cabeça
onde o sol
se esconde
o sagrado e
profano
caminham no
meio de delatores
anônimos
que gozam em
teias
os intensos aproveitam
as labaredas e
levantam
voo.
Hilda Helena Dias
Segredos Profanos- tumbir
as pernas
dementes
caminham com
lentidão
o desejo de
ser pássaro
retarda a
partida
há frutas no
quintal
com a cabeça
onde o sol
se esconde
o sagrado e
profano
caminham no
meio de delatores
anônimos
que gozam em
teias
os intensos aproveitam
as labaredas e
levantam
voo.
Hilda Helena Dias
Segredos Profanos- tumbir
quinta-feira, 12 de maio de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
adorno
adorno
minha sombra
abre a boca
vomita restos
de um
enigma com
devaneios
em mãos.
os canaviais
nas tardes
em suas raízes
tem
outros nomes
dentro do ser
muitas das trilhas
não são
suas
impregnados
em nós
carregamos
uma identidade
sem nome
o sentir
enfeitado
de ser luz
provoca queimaduras.
Hilda Helena Dias
FOTOGRAFIA: Arô Ribeiro
minha sombra
abre a boca
vomita restos
de um
enigma com
devaneios
em mãos.
os canaviais
nas tardes
em suas raízes
tem
outros nomes
dentro do ser
muitas das trilhas
não são
suas
impregnados
em nós
carregamos
uma identidade
sem nome
o sentir
enfeitado
de ser luz
provoca queimaduras.
Hilda Helena Dias
FOTOGRAFIA: Arô Ribeiro
travessia
travessia
perambulando
em rotação
os pés se
balançam
nas palavras
gastas
a procura
a cor viva
da pele
na multiplicidade
do ser
salta nua
em pontes
e rompe
instantes
loucos ouvem
o badalar
dos relógios
de pedra
enquanto são
iluminados
o breu permanece.
Hilda Helena Dias
Arte: O Grito, obra do pintor Edvard Munch.
perambulando
em rotação
os pés se
balançam
nas palavras
gastas
a procura
a cor viva
da pele
na multiplicidade
do ser
salta nua
em pontes
e rompe
instantes
loucos ouvem
o badalar
dos relógios
de pedra
enquanto são
iluminados
o breu permanece.
Hilda Helena Dias
Arte: O Grito, obra do pintor Edvard Munch.
trilha
trilha
no canto dos
bichos de asas
e na
mudez das
pedras
nascem
palavras
sós corremos
em trilhas de
estrelas
a estalagem
em cachoeiras
me acolhe
olho o verde
dos viajantes
acampado
na loucura
homens nascem
de carne da
mulher
e os loucos
preexistem entre
a claridade e
o vazio.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
no canto dos
bichos de asas
e na
mudez das
pedras
nascem
palavras
sós corremos
em trilhas de
estrelas
a estalagem
em cachoeiras
me acolhe
olho o verde
dos viajantes
acampado
na loucura
homens nascem
de carne da
mulher
e os loucos
preexistem entre
a claridade e
o vazio.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
terça-feira, 3 de maio de 2016
no meio dos homens
no meio dos homens
vive-se
em teias
a pele
sente dor
sem armadura
tendo muito
de ovelha
quase nada
de tosquiador
sem dizer
palavras
seguia
seu corpo
Casa da Alma
era luz
que o
lembrava
ser
humano.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
RELAMPIÃO - Antes de começar.
A Cia. do Miolo e a Cia. Paulicéa de Teatro juntam-se nesse processo para revisitar as histórias de Lampião, o mito do cangaço, e aproximá-las das questões cotidianas de nosso tempo.
vive-se
em teias
a pele
sente dor
sem armadura
tendo muito
de ovelha
quase nada
de tosquiador
sem dizer
palavras
seguia
seu corpo
Casa da Alma
era luz
que o
lembrava
ser
humano.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
RELAMPIÃO - Antes de começar.
A Cia. do Miolo e a Cia. Paulicéa de Teatro juntam-se nesse processo para revisitar as histórias de Lampião, o mito do cangaço, e aproximá-las das questões cotidianas de nosso tempo.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
sábado, 30 de abril de 2016
purificação
purificação
carne viva
é a vida
pendurado na
forca
provamos
seu gosto
com
veneno
de cobra
devoro-a
e mergulho
na pouca
água jorrada
me limpo em
suas lágrimas
e me visto.
VOID - Abismo
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
Installation: Acquabox, location: Parahaus.
São Paulo, 2015
carne viva
é a vida
pendurado na
forca
provamos
seu gosto
com
veneno
de cobra
devoro-a
e mergulho
na pouca
água jorrada
me limpo em
suas lágrimas
e me visto.
VOID - Abismo
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
Installation: Acquabox, location: Parahaus.
São Paulo, 2015
segunda-feira, 25 de abril de 2016
CONFIRA!!!
Veja isto: https://issuu.com/revistaalagunas/docs/pater
Participo desta edição com dois poemas. A revista ALAGUNAS tem uma proposta tremenda. Vale a pena conferir!!!
Participo desta edição com dois poemas. A revista ALAGUNAS tem uma proposta tremenda. Vale a pena conferir!!!
não sei morrer
não sei morrer
meus traços
indefinidos
pedirão
meu sangue
fervendo
meus olhos
estagnados de
água
molharão a
morte por
não saber da
minha presença
nula e inerte
ao silêncio
sem santo
por perto
enterro
raízes perdidas
a vida suicida
cansada de
viver
diz que gosta
de mim
mas assiste
meu fim
solitária
com asas
sem ter
onde repousar
sou louca
em meus
sonhos
teço roupas
para os vivos
talvez
nas minhas
entranhas
sempre
tenha existindo
um deus.
meus traços
indefinidos
pedirão
meu sangue
fervendo
meus olhos
estagnados de
água
molharão a
morte por
não saber da
minha presença
nula e inerte
ao silêncio
sem santo
por perto
enterro
raízes perdidas
a vida suicida
cansada de
viver
diz que gosta
de mim
mas assiste
meu fim
solitária
com asas
sem ter
onde repousar
sou louca
em meus
sonhos
teço roupas
para os vivos
talvez
nas minhas
entranhas
sempre
tenha existindo
um deus.
Belo horror
belo horror
a noite
demora
em mim
nostálgica
me canto
enquanto é
imortal a
ternura
amando-me
me torno
pássaro
num voo
mais
comovido
em mim
mesma
o voo
nas entranhas
busco
vestígios de
eternidade
não mais
sendo e
sem desejos
com o próprio
nome
abandonado
o belo é o
terrível que
se desfaz.
Hilda Helena Dias
Ludovic Florent a voulu capturer la beauté des mouvements des danseurs professionnels. Il a donc réalisé une série de photographies, "Poussière d'étoiles", où des danseurs nus effectuent leurs pas sur
a noite
demora
em mim
nostálgica
me canto
enquanto é
imortal a
ternura
amando-me
me torno
pássaro
num voo
mais
comovido
em mim
mesma
o voo
nas entranhas
busco
vestígios de
eternidade
não mais
sendo e
sem desejos
com o próprio
nome
abandonado
o belo é o
terrível que
se desfaz.
Hilda Helena Dias
Ludovic Florent a voulu capturer la beauté des mouvements des danseurs professionnels. Il a donc réalisé une série de photographies, "Poussière d'étoiles", où des danseurs nus effectuent leurs pas sur
fim
fim
a morte intocável
no corpo inteiro
se alonga
o medo incontido
resguarda-se no
silêncio
a fuga dos meus
gestos e a
cor dos meus
sonhos perdida
é inútil
indo só
na partida
a forma sumindo
existe perdida
num encontro
desfeito na
memória do
amor ausente
consumida nas
incertezas digo
coisas caladas
que nem sei
ouvir.
Hilda Helena Dias
IN THE CLOUDS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
São Paulo, 2014
a morte intocável
no corpo inteiro
se alonga
o medo incontido
resguarda-se no
silêncio
a fuga dos meus
gestos e a
cor dos meus
sonhos perdida
é inútil
indo só
na partida
a forma sumindo
existe perdida
num encontro
desfeito na
memória do
amor ausente
consumida nas
incertezas digo
coisas caladas
que nem sei
ouvir.
Hilda Helena Dias
IN THE CLOUDS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
São Paulo, 2014
palavra virgem
palavra virgem
as palavras
não vêm
e quando vêm
são falhas e
imprecisas
canto apelando
a todos os
gêneros
a ausência
caminha no
sonho
em redes o
mistério da
vida
soluços perdidos
na madrugada
em terra
sem tradições
traz o que é
preciso ser dito
a gente chega e
se vai
distante do mundo
derrotados pelo sonho
sem porto
sem direção
busco palavras
puras
no raiar da
manhã
perdidas na
madrugada.
Hilda Helena Dias
LUZ DA ZONA
Foto de Cláudio Zeiger
Feitas no Espaço do Grupo e Agrupamento Teatral- Com Arô Ribeiro em São Paulo
as palavras
não vêm
e quando vêm
são falhas e
imprecisas
canto apelando
a todos os
gêneros
a ausência
caminha no
sonho
em redes o
mistério da
vida
soluços perdidos
na madrugada
em terra
sem tradições
traz o que é
preciso ser dito
a gente chega e
se vai
distante do mundo
derrotados pelo sonho
sem porto
sem direção
busco palavras
puras
no raiar da
manhã
perdidas na
madrugada.
Hilda Helena Dias
LUZ DA ZONA
Foto de Cláudio Zeiger
Feitas no Espaço do Grupo e Agrupamento Teatral- Com Arô Ribeiro em São Paulo
Procura
Procura
seres surdos
e cegos dos olhos
não ouvem o
canto daqueles
que o amor
feriu
sem derrubar
homens conformados
de sorrisos inúteis
deixam de ser
caminho
com suas bocas
fechadas e
mãos atadas
humanos sem
amigos e
sem esperança de
retorno com
asas cansadas
procuram um
deus.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
seres surdos
e cegos dos olhos
não ouvem o
canto daqueles
que o amor
feriu
sem derrubar
homens conformados
de sorrisos inúteis
deixam de ser
caminho
com suas bocas
fechadas e
mãos atadas
humanos sem
amigos e
sem esperança de
retorno com
asas cansadas
procuram um
deus.
Hilda Helena Dias
Fotografia: Arô Ribeiro
velório
velório
a morte por perto
é silêncio e
desespero
palavras e
soluços presos
na garganta
viram vazio
dor e
escuro
sem nada a
dizer
sem querer falar
escondo fantasias
solenes e mudas
sonho de mãos
dadas com quem
chora e que
por mim
nunca chorou
na retina
o espanto
o homem é
humano
frágil e
só.
Hilda Helena Dias
Imagem: Diego Rivera.
a morte por perto
é silêncio e
desespero
palavras e
soluços presos
na garganta
viram vazio
dor e
escuro
sem nada a
dizer
sem querer falar
escondo fantasias
solenes e mudas
sonho de mãos
dadas com quem
chora e que
por mim
nunca chorou
na retina
o espanto
o homem é
humano
frágil e
só.
Hilda Helena Dias
Imagem: Diego Rivera.
medo
medo
na entrega
perco-me na
confusão de
ser amada
o mundo escondido
em prantos
canta o amor
a morte concebi
em pensamentos
nas noites
nos meus olhos
de criança
o medo
o medo
o medo
o medo...
aproxima-se da
fantasia e a
presença fica no
leito subterrâneo
sem desejos
somos pássaros
sem asas
submersa
vejo paisagem
sem cor
dentro de mim
a certeza
do impossível.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
São Paulo, 2015
na entrega
perco-me na
confusão de
ser amada
o mundo escondido
em prantos
canta o amor
a morte concebi
em pensamentos
nas noites
nos meus olhos
de criança
o medo
o medo
o medo
o medo...
aproxima-se da
fantasia e a
presença fica no
leito subterrâneo
sem desejos
somos pássaros
sem asas
submersa
vejo paisagem
sem cor
dentro de mim
a certeza
do impossível.
Hilda Helena Dias
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration.
São Paulo, 2015
domingo, 24 de abril de 2016
Filhos da Noite
filhos da noite
com permissão
sinto beleza
nas coisas que de
mim não
escondes
desabrocho em
promessas
quando você se
expande
nossa culpa é
redimida nas
palavras loucas
no ouvido
que morrem comigo
no choque da
doida investida
soluços não ouvidos
se abrem em
choro,
promessa e
dor
amados
transformados
em noite
florescem como
filhos do medo
na áspera rocha
pressinto a fonte
renascendo
o amor abraça e
morre comigo.
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
com permissão
sinto beleza
nas coisas que de
mim não
escondes
desabrocho em
promessas
quando você se
expande
nossa culpa é
redimida nas
palavras loucas
no ouvido
que morrem comigo
no choque da
doida investida
soluços não ouvidos
se abrem em
choro,
promessa e
dor
amados
transformados
em noite
florescem como
filhos do medo
na áspera rocha
pressinto a fonte
renascendo
o amor abraça e
morre comigo.
THE LOVERS
Performance for Camera
Ana Montenegro and Maurizio Mancioli, collaboration
São Paulo, 2016
Luto
luto
na hora da morte
falas de generosidade
o corpo com medo
da terra
vê enterrado um
amor maior
existente em si
a memória perdida
depois do tormento
fica só
no pensamento
areia e sal
temperada no
esquecimento
em busca do mar
vê rio
na escuridão
deixaste a terra
depois de
alimentá-la .
Hilda Helena Dias
Haicai de Alexander Martins Vianna do poema:
antes da morte
o corpo com medo
se enterra
na hora da morte
falas de generosidade
o corpo com medo
da terra
vê enterrado um
amor maior
existente em si
a memória perdida
depois do tormento
fica só
no pensamento
areia e sal
temperada no
esquecimento
em busca do mar
vê rio
na escuridão
deixaste a terra
depois de
alimentá-la .
Hilda Helena Dias
Haicai de Alexander Martins Vianna do poema:
antes da morte
o corpo com medo
se enterra
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