sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A TroLhA: Errar é humano, mas...

Permenecer no erro é típico da maria freitas...


Hoje, em seu espaço no diário oficial da corte cor de rosa, a futura e ex-secretária de educação retoma a defesa do seu "genial" processo de avaliação automática, um dos maiores fracassos pedagógicos da história, responsável por lançar Campos dos G. no fosso dos piores índices de aproveitamento escolar do Brasil, e quem sabe do mundo...


Ao tentar a sutileza para tratar do tema, a futura e ex-secretária derrapa em sua pouca capacidade de verbalização, e revela todo o seu ranço autoritário, e sua incapacidade de debater e aceitar que suas "idéias" estão superadas, ou ao menos, necessitam reparos sérios para serem implementadas...


Em um discurso impróprio para quem responderá publicamente pelas políticas educacionais do município, a futura e ex-secretária mantém o tom maniqueísta e binário das suas "formulações"...Leia um trecho reproduzido de seu texto no jornal...


"A reprovação, na maioria das vezes é aclamada, já que sempre foi usada, através dos tempos, sem a menor parcimônia, afinal, ela livra a escola de todas as responsabilidades e segue em frente, no seu afã de selecionar os “melhores” e alimentar a máquina de fabricar dominados, inferiores... para “gente bem nascida” é um modelo e tanto de fabricar uma sociedade desigual. Alguns preferem este modelo, afinal, sentenciar é bem mais fácil do que acompanhar, facilitar, orar, vigiar, cuidar, promover..."



Está claro a todos que e Escola não pode ser um espaço de exclusão, ou seja: é durante a fase de aprendizado das crianças e jovens que devemos dedicar todos os esforços a diminuir as diferenças, através do reconhecimento de que o processo de aprendizado é individual...Isso implica em modelos flexíveis e adaptáveis a cada realidade onde serão inseridos...
No entanto, as linhas gerais do processo educacional devem estar claras: o objetivo é o aluno e seu aprendizado...

A pobre análise da futura e ex-secretária esconde dados importantes, por ignorância, má-fé ou ambos...

Desconhece o movimento de "desregulamentação" a que foi submetida a Escola, envolvida pelas teses neolibeirais de eficiência e produtividade, onde a carreira magisterial foi atacada e reduzida a uma atividade autômata e desqualificada, e os alunos foram tratados como produtos, números e estatísticas...

Na impossibilidade de reverter os resultados dos alunos para os índices que desejavam, os gestores deslocaram a avaliação dos alunos para os professores, iniciando assim uma "paternalização" e falsificação perigosa, denominada: aprovação automática...


Ao dizer que apenas a reprovação e repetência de ciclos são os prinicipais motivos da evasão escolar, os gestores desvincularam a Escola da realidade que a cercava, e criaram um "mundo ideal", sem diferenças, sem cobranças, avaliações e punições...Mentiram assim, desacaradamente para sua "clientela", que logo após que saíssem dos bancos escolares seriam, e sempre serão, avaliados, sancionados, "punidos" e cobrados por seus resultados...
Para combater a exclusão pela repetência, criaram a exclusão pela não-avaliação...
O que os gênios pedagógicos escondem, é que toda essa "reengenharia educacional" não buscava atender a demanda pedagógica dos alunos...
O sentido de tais intervenções era tão somente ampliar a capacidade da Escola em atendimento(leia-se matrículas) para aumentar os repasses orçamentários recebidos, sem que isso fosse revertido em maiores investimentos na área educacional, e sim em obras e compras suspeitas de materiais e serviços...


A falácia da aprovação automática, sob o signo da não-exclusão, na verdade é uma das faces mais duras e mentirosas dos modelos "poplulistas"...Escondem que a "seleção" educacional se dá de qualquer forma, pois de certa maneira reflete o contexto social onde está inserida a Escola...Alunos com famílias bem estrturadas, com pais presentes e atuantes, com histórico escolar melhor, se sairão melhor, com ou sem aprovação automática...
Já os alunos carentes e hipossuficientes sequer terão uma referência quantitativa para descobrir suas incapacidades...Serão enganados, pois estão aprovados, mas não estão aptos a nada...
Enfrentarão as "punições" das empresas, dos vestibulares e em toda a sociedade, que rejeitará sua incapacidade e insuficiência acadêmica...
Não se combate o "darwinismo escolar" dando "alimento" de forma artificial aos que estão menos adaptados...é necessário dotar esses "atrasados" de "ferramentas compensatórias", como garantia de sua sobrevivência social...caso contrário, será extintos quando retirados desse "ambiente fabricado"...


O que a sociedade campista deve fazer, sob pena de produzir uma nova legião de "aprovados acéfalos", é impedir que esse "discurso" e essa práxis populista se alastre...Os sindicatos, pais e associações de moradores devem discutir e contestar esse "modelo paternalista" proposto pela "secretária mãe dos pobres"...


Pobre não precisa de caridade, necessita direitos e qualidade de ensino...


Perguntamos:
Faz alguma diferença o método de avaliação e aprovação se a Escola for de boa qualidade...?

Faz algum sentido discutir a "ponta" do processo (avaliação e promoção escolar) sem antes discutir salários, estrutura pedagógica e material, democracia na gestão (eleição para diretores), integração escola X comunidade, objetivos e metas educacionais...?
Quantos gestores submeteriam seus filhos a essas "idéias revolucionárias" de aprovação automática?...Onde estudaram os filhos da secretária, da prefeita e de outros mandatários...?

4 comentários:

luciana disse...

HILDA HELENA, ADOREI SEU BOLG E AS POSTAGENS QUE VOCÊ FAZ, SOU PROFESSORA DA REDE MUNICIPAL E ACHEI TUDO ISSO AQUI MUITO INTERESSANTE. PRECISAMOS REFLETIR SEMPRE, SOBRE AQUILO QUE NOS É DITO, COMO POR EXEMPLO DESSA ÚLTIMA POSTAGEM QUE VOCÊ FEZ SOBRE A FALA DA AUXILIADORA!
ESPERO QUE NÃO TENHAMOS QUE DAR UM PASSO PARA TRÁS. UM ABRAÇO!!!
ADICIONEI VOCÊ NO ORKUT, SE TIVER MSN, VAMOS MANTER CONTATO, PARA TROCAR IDÉIAS. PARABÉNS PELA INICIATIVA!!! LUCIANA

Professora Hilda Helena disse...

Que bom que você gostou!
Sinta-se bem à vontade para comentar sempre!
o objetivo deste espaço é esse mesmo!

Flávio Mussa Tavares disse...

Oi Hilda Helena, obrigado pelo seu comentário no meu blog. Vou adicionar seu blog na lista dos meus preferidos, ok?
Quanto à questão da aprovação, apesar de não ser professor, penso um pouco diferente de você, o que de modo algum deve fazer que nos hostilizemos, não é mesmo?
Deus abençoe sua luta e multiplique seu vigor.

Professora Hilda Helena disse...

Obrigada Flávio!
De forma alguma as divergências de idéias pode interferir ...
Segundo os teóricos da democracia, um debate livre e aberto resulta geralmente que seja considerada a melhor opção e tem mais probabilidades de evitar erros graves.
A democracia depende de uma sociedade civil educada e bem informada cujo acesso à informação lhe permite participar tão plenamente quanto possível na vida pública da sua sociedade e criticar funcionários do governo ou políticas insensatas e tirânicas. Os cidadãos e os seus representantes eleitos reconhecem que a democracia depende de acesso mais amplo possível a ideias, dados e opiniões não sujeitos a censura.
A liberdade de expressão é um direito fundamental consagrado na Constituição Federal de 1988, no capítulo que trata dos Direitos e Garantias fundamentais e funciona como um verdadeiro termômetro no Estado Democrático. Quando a liberdade de expressão começa a ser cerceada em determinado Estado, a tendência é que este se torne autoritário. A liberdade de expressão serve como instrumento decisivo de controle de atividade governamental e do próprio exercício do poder. O princípio democrático tem um elemento indissociável que é a liberdade de expressão, em contraposição a esse elemento, existe a censura que representa a supressão do Estado democrático. A divergência de ideias e o direito de expressar opiniões não podem ser restringidos para que a verdadeira democracia possa ser vivenciada.